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A Benvinda Cia. nasceu em 2016 a partir do desejo de participantes de diferentes grupos teatrais da Cultura Inglesa de aprofundar sua investigação em práticas artísticas. Com membros provenientes de diversas regiões da grande São Paulo, como Guarulhos, Santana, Higienópolis e Diadema, a companhia formou-se através da condução do diretor João Hannuch e iniciou sua pesquisa na linguagem que, posteriormente, chamaria de Teatro Pop. 

 

Levando em conta o avanço desenfreado da tecnologia e a quantidade imensa de informações (sejam elas úteis ou não, verdadeiras ou não) disponíveis em um único toque, o grupo busca questionar o impacto causado por esses influxos no indivíduo e nas relações humanas. Usufruindo de artifícios como tempo acelerado, estímulos visuais coloridos e extravagantes e referências à cultura popular, o Teatro Pop, investigado pela Benvinda Cia, procura dissecar a identidade do jovem contemporâneo, aquele que nunca conheceu outra realidade, senão a rápida, imediatista, efêmera e digital.

 

Ainda em fase de experimentações, seu primeiro esforço como grupo se deu justamente em 2016, com a peça Seja Benvinda. Inspirada no texto original de Nil de Pádua, a peça retratava a busca pelos sonhos impossíveis e até onde podemos chegar, ou o que estamos dispostos a comprometer e abandonar para alcançá-los. Com 23 atores no elenco, 11 músicas originais e temporada no Teatro Irene Ravache, Seja Benvinda já apresentava, ainda que de modo embrionário, elementos que mais tarde se tornariam marcas registradas do grupo. 

 

No ano seguinte, o grupo passou a explorar o cotidiano do jovem gay paulistano com a sua segunda peça, Limonada. Em seu texto original, João Hannuch buscou inspiração nas suas próprias desventuras amorosas, tecendo uma relação estreita com o espectador e o provocando a perceber as nuances dos vínculos que criamos durante a vida. Personagens cartunescos que funcionam como avatares, estética visual inspirada nas festas de aniversário dos anos 80 e momentos memetizados compõem a linguagem da peça e estreitam o conceito de Teatro Pop. O espetáculo contou com várias temporadas, no iNBOx Cultural, Parlapatôes e Viga Espaço Cênico, além de apresentações no Festival Satyrianas, Casa1 e Centros Culturais da cidade de São Paulo.

 

Já em 2018, a vontade de explorar a fragilidade da saúde mental do jovem contemporâneo originou o espetáculo Eu Amo Robô. Na peça, o conceito de loucura é explorado sobre diversos ângulos e aspectos, conduzindo o público pelas nuances visuais e emocionais trazidas pelas temáticas abordadas, como abuso físico e emocional, depressão pós-parto e luto. A confusão mental e solidão desoladora dos pacientes do hospício retratados no texto refletem em sua encenação, que conta com uma dinâmica de cenas curtas e não lineares. Com duas temporadas, no Espaço Cia. da Revista e no Viga Espaço Cênico, Eu Amo Robô também foi apresentada no Festival Satyrianas 2018.

 

O quarto trabalho da Benvinda Cia., Dinosarah, estreou em 2019 e explora temáticas de aceitação, rejeição, amor e normatividade na sociedade sob uma ótica lúdica e espetaculosa, conduzindo o público por um universo fantasioso que, na realidade, se aproxima muito do nosso. Novamente motivados pela proximidade com as temáticas e anseios dos jovens, viu-se latente na Cia. o desejo de se abordar o turbilhão de sensações e pensamentos do adolescente inserido na sociedade atual, além de, é claro, explorar a potência dessa discussão na linguagem e estética desenvolvida pelo grupo ao longo dos anos. Por meio do humor e da excentricidade, DinoSarah debate e questiona a realidade do jovem em uma atualidade tão permeada por sensibilidades, exigências e expressividades. Contou com uma temporada de estreia no iNBOx Cultural e atualmente se encontra em turnê por Centros Culturais da Grande São Paulo.